Cabo Verde vai às urnas em 2026: eleições legislativas e presidenciais
O ano de 2026 será um marco decisivo para a democracia cabo-verdiana, com a realização de eleições legislativas e presidenciais. Numa conjuntura em que o país enfrenta desafios internos e externos — da economia ao emprego jovem, da transição digital à coesão social, da governação local à relação com a diáspora — votar é mais do que um direito: é um ato de pertença e de responsabilidade cívica.
As datas já anunciadas
De acordo com o anúncio feito após reunião do Conselho da República, as datas definidas são:
Eleições legislativas: 17 de maio de 2026
Eleições presidenciais (1.ª volta): 15 de novembro de 2026
Eventual 2.ª volta das presidenciais: 29 de novembro de 2026 (rtp.pt)
Estas datas enquadram-se no calendário constitucional e político do país e marcam dois momentos distintos: um para escolher a composição do Parlamento e o Governo; outro para eleger o Chefe de Estado.
O que se decide nas legislativas
As eleições legislativas determinam a composição da Assembleia Nacional e, em consequência, a formação do Governo. É aqui que se escolhe a orientação política para áreas centrais como:
política económica e fiscal (crescimento, inflação, dívida, investimento)
educação e qualificação (escolas, ensino técnico, universidade, formação profissional)
saúde e proteção social (acesso, qualidade, respostas territoriais)
justiça, segurança e transparência institucional
ambiente, água, energia e resiliência climática
oportunidades para jovens e políticas de emprego
É, em termos práticos, o voto que mais influencia as políticas públicas do quotidiano.
O que se decide nas presidenciais
As eleições presidenciais elegem o Presidente da República, figura de referência na arquitetura democrática: garante da Constituição, moderador institucional e voz do Estado em momentos-chave. Mesmo sem dirigir o Governo, o Presidente desempenha um papel relevante na estabilidade, no diálogo político e na preservação das regras do jogo democrático.
A importância de um voto informado
Uma democracia amadurece quando os cidadãos votam com base em factos, propostas e valores — e não em ruído, boatos ou ataques pessoais. Em ano eleitoral, vale a pena:
comparar programas e propostas com calma
observar coerência e percurso (o que foi prometido vs. o que foi feito)
exigir clareza sobre metas, custos, prazos e execução
proteger a conversa pública: firmeza, sim; desumanização, não
Recenseamento e participação: sem isso, não há voto
O voto começa antes do dia da eleição: começa no recenseamento e na organização prática da participação.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) disponibiliza informação e calendário eleitoral, com a nota de que datas e etapas podem estar sujeitas a ajustes dentro do quadro legal e institucional. (Comissão Nacional de Eleições)
Para a diáspora: um apelo especial
A diáspora cabo-verdiana é uma força histórica, económica e cultural do país. Participar nas eleições é uma forma concreta de manter vivo esse vínculo. Se reside no estrangeiro:
Confirme se está recenseado/a e onde vota
Verifique prazos, locais e documentação exigida
Acompanhe os comunicados oficiais (CNE e canais institucionais)
A participação da diáspora é também uma mensagem clara: Cabo Verde é um país global, com cidadania que atravessa fronteiras.
Um ano para fortalecer a democracia
Mais do que "ganhar" eleições, um país precisa de ganhar futuro: com instituições sólidas, debate civilizado e decisões que melhorem a vida real das pessoas.
Em 2026, Cabo Verde tem a oportunidade de reafirmar três pilares essenciais:
legitimidade democrática (participação e confiança no processo)
estabilidade institucional (respeito por regras, resultados e fiscalização)
visão de desenvolvimento (políticas realistas, inclusivas e sustentáveis)
Conclusão: votar é cuidar do país
Seja em Cabo Verde ou na diáspora, 2026 é um convite à cidadania ativa. Prepare-se com antecedência: informe-se, dialogue, confirme a sua situação eleitoral e participe.Porque cada voto é, no fundo, uma escolha sobre o tipo de país que queremos construir — para nós e para os que vêm a seguir.
Cônsul Honorário de Cabo Verde na Suécia
Filomena von Zeipel